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O segredo de Grissom - cap. 2


Sara, visivelmente brava, saiu sem falar com ninguém. Mais uma decepção que recebia. Gostava muito de Nick, achava que ele fosse merecedor, mas também achava ser mais qualificada do que ele naquele momento. E Grissom preferiu outra pessoa a ela. Como sempre. Foi para o locker e ficou pensativa, sentada no banco. Nick chegou na porta.

NS: Oi.
SS: Oi.
NS: Podemos conversar um pouco?
SS: Não estou legal, Nick.
NS: Eu sei.
SS: Olha Nick, não estou brava por você ter sido promovido e eu não.
NS: Eu entendo sua reação, Sara.
SS: Envolve outras coisas.

Nick ficou olhando para a amiga, penalizado. Sabia que ela era uma pessoa solitária e carente por dentro, e que ter essas promoções era um estímulo em sua vida. Mas ele não sabia do amor platônico dela por Grissom, nem sequer imaginava a real causa do humor ruim de ultimamente.

NS: Se precisar de um amigo, conte comigo, ok?
SS: Obrigada, Nick.

A perita, chateada, no final do turno, seguiu para casa. Tomou um banho e pegou uma garrafa de cerveja na geladeira. Estava sentada no sofá quando a campainha tocou.

SS: O que você quer aqui?
GG: Precisamos conversar, Sara.
SS: O que eu fiz desta vez?
GG: Posso entrar?
SS: Fique à vontade.

Grissom entrou e reparou que na mesinha de centro da sala havia duas garrafas vazias de cerveja.

GG: Anda bebendo, Sara?
SS: É proibido?
GG: Não. Mas a partir do momento que a bebida está te afetando no trabalho, é um problema. E como seu supervisor, tenho o dever de ajudá-la a sair desse buraco.
SS: Não estou em buraco nenhum e não estou precisando de ajuda nenhuma!
GG: Sara... – Grissom levantou a sobrancelha.
SS: Grissom, sou apenas uma subordinada, faço muito bem o dever, apesar de você parecer não pensar assim.
GG: Não a promovi por que não era a hora. Não que você não tenha qualificação para ser promovida, penso até que seu momento está chegando, mas por Deus, Sara, não pense mal de mim por conta de uma promoção que não veio! Você é tão importante quanto os outros. E não posso ficar sem você no lab!

Sara sentiu seu coração pular ao ouvir aquilo: “... não posso ficar sem você...”.  Desejou que ele se referisse a ela como mulher.

GG: Não quero vê-la se acabar na bebida. Você é uma mulher maravilhosa, e não quero que acabe perdendo seu emprego e sua vida.
SS: Ainda não entendi sua vinda aqui em minha casa.

Sara pegou a garrafa de cerveja e ia tomar um gole quando Grissom a segurou pelos pulsos. Colocou a garrafa na mesa e a encarou fixamente. A perita ainda tentou se mexer, como se fosse se soltar das mãos fortes do supervisor, mas ele segurou bem firme. Os dois se encararam e o mundo pareceu girar naquele momento. Nenhum som, nada que pudesse quebrar o clima. A sensação era de que os dois estavam jogando um joguinho de gato e rato. Sara tentava se desvencilhar sem querer sair das mãos de Grissom, que insistia em mantê-la presa. A perita sorriu. Um sorriso gostoso, sincero e que poderia entregar todo o seu coração em um segundo. Só se Grissom fosse um perfeito tapado para não perceber. Afinal, ela o beijava com os olhos todos os dias. Então, em um gesto amoroso, ela disse, desafiadora:

SS: Pin me down!

Grissom fez biquinho e se aproximou ainda mais da perita. E sussurrou:

GG: O que está acontecendo aqui? Com a gente?

E Sara respondeu, sussurrando também:

SS: Não sei, Griss... não sei...

Sentindo que seria impossível resistir, os dois acabaram se entregando ao beijo. Apaixonado de ambas as partes, pois Sara amava Grissom e Grissom... amava Sara. Sim, ele a amava! E este era à mulher amada, mas jamais teve coragem, chance ou oportunidade de fazê-lo. E agora estava ali, beijando-a. Sara o envolveu em seus braços e ele se entregou ao momento de paixão. Os dois foram, entre beijos e carícias, até o quarto da perita, onde acabaram se amando na cama dela.

SS: Tem camisinha, Griss?
GG: Não, mas não se preocupe. Não acontecerá nada!

Enlouquecido pelo corpo sensual da perita, Grissom amou-a intensamente, como a primeira vez em que a teve em seus braços. E na cama, eles fizeram muito mais do que se beijar, se amar, esfregar seus órgãos genitais um no outro... eles fizeram uma nova vida. Foi uma noite de sonhos para ambos. Mas no dia seguinte, a realidade bateu à porta. Grissom levantou-se antes de Sara e percebeu a loucura que havia feito. Foi logo se vestindo e, antes de ir embora, deixou um bilhete a ela. A perita acordou cerca de 20 minutos depois e sentiu a cabeça girar. Era a ressaca. Não se lembrava de quase nada do dia anterior, só que havia sido preterida por Grissom na promoção. Estava nua, o que lhe chamou a atenção, já que nunca dormia assim. E a cabeça doía. Foi até a sala e acabou encontrando um papel na mesinha de centro.

“Sara, ter estado com você foi bom, mas não deveria ter acontecido. Peço desculpas pelo modo como agi. Por favor, esqueça o que aconteceu. Prometo que isso não irá se repetir. Grissom.”

Confusa, a perita não deu muita importância. Mas ao retornar ao quarto e ver na cama manchas de esperma, se deu conta de que tinha ido para a cama com o homem amado... e acabara de levar um fora. Seu coração se espatifou naquele momento. Desolada, foi para a sala e abriu mais uma garrafa de cerveja. Se estava se acabando na bebida, não era exatamente porque amava uma loira gelada. É porque estava cansada de amar sem ser amada. Decidiu que iria virar a página a partir daquele momento. No dia seguinte, chegou ao lab com cara de cansada.

CW: Ei Sara, não dormiu direito?
SS: Acho até que dormi além da conta...
CW: Não foi por causa de uma certa pessoa não, né?
SS: Do que você está falando?
CW: Estamos só nós aqui, então vou dizer o que vejo. Sei que você, ama o Gil.
SS: Como?! – Sara ficou espantada.
CW: Oras, Sara, sou mulher também. Você não precisa sair contando a todo mundo, mas não precisa ter medo de mim. Sou amiga dele há anos mas não sairia contando sobre seus sentimentos. É algo seu, de seu íntimo. Pode desabafar comigo, se quiser.
SS: Obrigada, Cath.

A loira percebeu que os olhos da companheira eram pura tristeza.

CW: Tem certeza de que dormiu bem?
SS: Não, não dormi. Bebi muito, é só.

Antes que Catherine dissesse algo mais, Grissom adentrou-se na sala. Os olhos dele e de Sara se cruzaram e o clima não podia ser mais constrangedor.

CW: Estou atrapalhando alguma coisa?
SS: Não, não está.

Grissom olhou para Catherine, que entendeu o recado e os deixou a sós.

GG: Sara, com relação ao que aconteceu ontem...
SS: Você não precisa me dizer nada. O bilhete já disse tudo!
GG: Eu amei o que aconteceu entre nós. Mas acho que aconteceu numa hora imprópria...
SS: Não quer trair Sofia, não é?
GG: De onde tirou essa idéia maluca? Não tenho nada com ela.

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